Como você já sabe, os períodos são enunciados organizados em orações (cada verbo, uma oração). Eles podem ser simples, ou seja, formados por apenas uma oração, ou podem ser compostos, ou seja, formados por duas ou mais orações. As orações do período composto podem relacionar-se por meio de dois processos sintáticos diferentes: a coordenação e a subordinação.
O processo de subordinação ocorre quando um termo atua como determinante de outro termo, como quando os complementos verbais atuam como determinantes de um verbo, integrando sua significação. De maneira geral, os termos subordinados da oração são os objetos direto e indireto, os adjuntos adnominais (subordinados aos substantivos) e adverbiais (subordinados aos verbos).
A subordinação ocorre sempre no período composto quando as orações desempenham funções sintáticas em outras, atuando como determinantes de outras orações.
O período é composto, já que apresenta duas orações (dois verbos: notar e estar). A primeira oração, como podemos perceber, é organizada em torno do verbo transitivo direto “notou”; a segunda oração é organizada em torno da locução verbal “estava ocorrendo” e atua como objeto direto do verbo da primeira oração. Dessa forma, a partir da relação de dependência sintática entre as orações, podemos dizer que o período é composto por subordinação, pois existe um processo sintático que relaciona as orações que o compõem. As conjunções que ligam as orações subordinadas são chamadas de conjunções subordinativas (que).
Diferentemente dos períodos compostos por coordenação, cujos termos das orações são sintaticamente equivalentes e relacionam-se entre si, as orações subordinadas exercem funções diversas com relação à oração principal.
Tipos de orações subordinadas
De acordo com as funções sintáticas que exercem, as orações subordinadas são classificadas em:
Substantivas – Oração que tem valor de substantivo e exerce as funções de sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal e aposto.
Adjetivas – Oração que tem valor de adjetivo devido ao fato de caracterizar os substantivos e/ou os pronomes.
Adverbiais – Oração que tem valor de advérbio ou locução adverbial e exerce a função de adjunto adverbial com relação ao verbo da oração principal.
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Ocorre quando o verbo se flexiona para
concordar com seu sujeito.
Sujeito Simples
Regra Geral
O sujeito sendo simples, com ele
concordará o verbo em número e pessoa.
Veja os exemplos:
A
orquestra tocou uma
valsa longa.
3ª p. Singular 3ª
p. Singular
Os pares que rodeavam a
nós dançavam bem.
3ª p. Plural 3ª p. Plural
Casos Particulares
Há muitos casos em que o sujeito simples é constituído de formas que
fazem o falante hesitar no momento de estabelecer a concordância com o verbo.
Às vezes, a concordância puramente gramatical é contaminada pelo significado de
expressões que nos transmitem noção de plural, apesar de terem forma de
singular ou vice-versa. Por isso, convém analisar com cuidado os casos a
seguir.
1) Quando o sujeito é formado por
uma expressão partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
metade de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...) seguida de um
substantivo ou pronome no plural, o verbo pode ficar no singular ou
no plural.
Por Exemplo:
A maioria dos jornalistas aprovou
/ aprovaram a ideia.
Metade dos candidatos
não apresentou / apresentaram nenhuma proposta interessante.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos dos coletivos,
quando especificados. Por Exemplo:
Um bando de vândalos destruiu
/ destruíram o monumento.
Obs.: nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque aos elementos
que formam esse conjunto.
Concordância verbal (casos particulares II)
2) Quando o sujeito é formado por expressão que
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de, menos de, perto
de...) seguida de numeral e substantivo, o verbo concorda com o
substantivo. Observe:
Cerca de mil pessoas participaram da
manifestação. Perto de quinhentos alunos compareceram à solenidade. Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas
últimas Olimpíadas.
Obs.: quando a
expressão "mais de um" se associar a verbos que exprimem
reciprocidade, o plural é obrigatório:
Por Exemplo:
Mais de um colega se
ofenderam na tumultuada discussão de ontem. (ofenderam um ao outro)
3) Quando se trata de nomes que só existem no plural, a concordância
deve ser feita levando-se em conta a ausência ou presença de artigo. Sem
artigo, o verbo deve ficar no singular. Quando há artigo
no plural, o verbo deve ficar o plural.
Exemplos:
Os Estados
Unidos possuem grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. As Minas Gerais são inesquecíveis.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. Os Sertões imortalizaram Euclides da Cunha.
4) Quando o sujeito é um pronome
interrogativo ou indefinido plural (quais, quantos, alguns,
poucos, muitos, quaisquer, vários) seguido por "de nós" ou "de
vós", o verbo pode concordar com o primeiro pronome (na
terceira pessoa do plural) ou com o pronome pessoal. Veja:
Quais de nós são /
somos capazes? Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? Vários de nós propuseram / propusemos sugestões
inovadoras.
Obs.: veja que a opção por uma ou outra forma indica
a inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz ou
escreve "Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fizemos", esta pessoa
está se incluindo no grupo dos omissos. Isso não ocorre quando alguém diz ou
escreve "Alguns de nós sabiam de tudo e nada fizeram.", frase que soa
como uma denúncia.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido estiver no
singular, o verbo ficará no singular.
Por Exemplo:
Qual de nós é capaz? Algum de vós fez isso.
Concordância verbal (casos particulares III)
5) Quando o sujeito é formado por uma expressão que
indica porcentagem seguida de substantivo, o verbo deve concordar com
o substantivo.
Exemplos:
25% do orçamento do
país deve destinar-se à Educação.
85% dos entrevistados não aprovam a administração
do prefeito.
1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
Quando a expressão que indica porcentagem não é seguida de substantivo,
o verbo deve concordar com o número. Veja:
25% querem a
mudança.
1% conhece o assunto.
6) Quando o sujeito é o pronome relativo "que",a
concordância em número e pessoa é feita com o antecedente do pronome.
Exemplos:
Fui eu que paguei a
conta.
Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
Ainda existem mulheres que ficam vermelhas na
presença de um homem.
7) Com a expressão "um dos que",embora
alguns gramáticos considerem a concordância facultativa, a preferência é pelo
uso do verbo no plural, para concordar com a palavra que antecede o
pronome relativo “que”.
Por Exemplo:
Ademir da Guia foi um dosjogadoresque mais encantaram os
poetas.
Se você é um dos queadmiram o
escritor, certamente lerá seu novo romance.
Atenção:
Na linguagem corrente, o que se ouve,
efetivamente, são construções como:
"Ele foi um dos deputados que mais lutou para
a aprovação da emenda".
Ao compararmos com um caso em que se
use um adjetivo, temos:
"Ela é uma das alunas
mais brilhante da sala."
Ao invertermos as frases, fica claro
que o emprego das formas no plural está adequado:
"Das alunas mais brilhantes da
sala, ela é uma." "Dos deputados que mais lutaram pela
aprovação da emenda, ele é um".
Concordância verbal (casos particulares IV)
8) Quando o sujeito é o pronome relativo "quem",pode-se
utilizar o verbo na terceira pessoa do singular ou em concordância com o
antecedente do pronome.
Exemplos:
Fui eu quem
pagou a conta. / Fui eu quem paguei a
conta.
Fomos nós quem pintou o muro. / Fomos nós quem pintamos o
muro.
9) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o verbo fica na 3ª
pessoa do singular ou plural.
Por Exemplo:
Vossa
Excelência é diabético?
Vossas Excelências vão renunciar?
10) A concordância dos verbos bater, dar e soar se dá de
acordo com o numeral.
Por Exemplo:
Deu uma hora
no relógio da sala. Deram cinco horas no relógio da sala.
Obs.: caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino, torre, etc., o
verbo concordará com esse sujeito. Por exemplo:
O tradicional relógio da praça matriz
dá nove horas.
11) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum sujeito, são usados
sempre na 3ª pessoa do singular. São verbos impessoais:
Haver no sentido
de existir; Fazer indicando tempo;
Aqueles que indicam fenômenos da natureza.
Exemplos:
Havia muitas garotas
na festa. Faz dois meses que não vejo meu pai. Chovia ontem à tarde.
Concordância verbal (sujeito composto)
Sujeito Composto
1) Quando o sujeito é composto e anteposto ao verbo, a concordância se
faz no plural:
Exemplos:
Pai e filho conversavam longamente.
(Sujeito)
Pais e filhos devem conversar
com frequência. (Sujeito)
2) Nos sujeitos compostos formados por pessoas gramaticais
diferentes, a concordância ocorre da seguinte maneira: a primeira pessoa do
plural prevalece sobre a segunda pessoa, que por sua vez, prevalece sobre a
terceira. Veja:
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a
decisão. Primeira
Pessoa do Plural (Nós)
Tu e teus irmãos tomareis a decisão. Segunda Pessoa do Plural (Vós)
Pais e filhos precisam
respeitar-se. Terceira Pessoa do
Plural (Eles)
Obs.: quando o sujeito é composto, formado por um elemento da segunda
pessoa e um da terceira, é possível empregar o verbo na terceira pessoa do
plural. Aceita-se, pois, a frase: "Tu e teus irmãos tomarão a
decisão."
3) No caso do sujeito composto pospostoao verbo, passa a
existir uma nova possibilidade de concordância: em vez de concordar no plural
com a totalidade do sujeito, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo
do sujeito mais próximo. Convém insistir que isso é uma opção, e não uma
obrigação.
Por Exemplo:
Faltaram coragem e
competência. Faltou coragem e competência.
4) Quando ocorre ideia de reciprocidade, no entanto, a
concordância é feita obrigatoriamente no plural. Observe:
Abraçaram-se vencedor
e vencido. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Casos Particulares
1) Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos ou
quase sinônimos, o verbo pode ficar no plural ou no singular.
Por Exemplo:
Descaso e desprezo marcam /
marca seu comportamento.
2) Quando o sujeito composto é formado por núcleos dispostos em
gradação, o verbo pode ficar no plural ou concordar com
o último núcleo do sujeito.
Por Exemplo:
Com você, meu amor, uma hora, um
minuto, um segundo me satisfazem / satisfaz.
No primeiro caso, o verbo no plural enfatiza a unidade
de sentido que há na combinação. No segundo caso, o verbo no singular enfatiza
o último elemento da série gradativa.
3) Quando os núcleos do sujeito composto são unidos por "ou"
ou "nem", o verbo deverá ficar no plural se a
declaração contida no predicado puder ser atribuída a todos os núcleos.
Por Exemplo:
Drummond ou Bandeira representam a
essência da poesia brasileira.
Nem o professor nem o aluno acertaram a
resposta.
Quando a declaração contida no predicado só puder ser atribuída a um dos
núcleos do sujeito, ou seja, se os núcleos forem excludentes, o
verbo deverá ficar no singular. Por exemplo:
Roma ou Buenos
Aires será a sede da próxima Olimpíada.
Você ou ele será escolhido. (Só será escolhido um)
4) Com as expressões "um ou outro" e "nem
um nem outro", a concordância costuma ser feita no singular,
embora o plural também seja praticado.
Por Exemplo:
Um e outro compareceu
/ compareceram à festa.
Nem um nem outro saiu / saíram do colégio.
5) Quando os núcleos do sujeito são unidos por "com",
o verbo pode ficar no plural. Nesse caso, os núcleos recebem um
mesmo grau de importância e a palavra "com" tem
sentido muito próximo ao de "e". Veja:
O pai com o
filho montaram o brinquedo.
O governador com o secretariado traçaram os planos
para o próximo semestre.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se a ideia
é enfatizar o primeiro elemento.
O pai com o
filho montou o brinquedo.
O governador com o secretariado traçou os planos
para o próximo semestre.
Obs.: com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito
composto. O sujeito é simples, uma vez que as expressões "com o
filho" e "com o secretariado" são adjuntos adverbiais de
companhia. Na verdade, é como se houvesse uma inversão da ordem. Veja:
"O pai montou
o brinquedo com o filho."
"O governador traçou os planos para o próximo semestre com o
secretariado."
6) Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões
correlativas como: "não só...masainda", "não
somente"..., "não apenas...mas também", "tanto...quanto",
o verbo concorda de preferência no plural.
Não só a
seca, mas também o pouco caso castigam o Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos
com a notícia.
7) Quando os elementos de um sujeito composto são resumidos por
um aposto recapitulativo, a concordância é feita com esse termo resumidor.
Por Exemplo:
Filmes, novelas, boas
conversas, nada o tirava da apatia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante na
vida das pessoas.
Outros Casos
O Verbo e a Palavra
"SE"
Dentre as diversas funções exercidas pelo "se",
há duas de particular interesse para a concordância verbal:
a) quando é índice
de indeterminação do sujeito; b) quando é partícula apassivadora.
Quando índice de indeterminação do sujeito, o "se" acompanha
os verbos intransitivos, transitivos indiretos e
de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na terceira pessoa do
singular.
Exemplos:
Precisa-se de governantes
interessados em civilizar o país. Confia-se em teses absurdas. Era-se mais feliz no passado.
Quando pronome apassivador, o "se" acompanha
verbos transitivos diretos (VTD) etransitivos diretos e indiretos
(VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o verbo deve
concordar com o sujeito da oração.
Exemplos:
Construiu-se um posto de
saúde. Construíram-se novos postos de saúde. Não se pouparam esforços para despoluir o rio. Não se devem poupar esforços para despoluir o rio.
O Verbo
"Ser"
A concordância verbal se dá sempre entre o verbo e o sujeito da oração.
No caso do verbo ser, essa concordância pode ocorrer também entre o verbo e
o predicativo do sujeito.
O verbo ser concordará com o predicativo do sujeito:
a) Quando o sujeito for representado pelos pronomes - isto,
isso, aquilo, tudo, o - e o predicativo estiver
no plural.
Exemplos:
Isso são lembranças inesquecíveis.
Aquilo eram problemas gravíssimos.
O que eu admiro em você são os
seus cabelos compridos.
b) Quando o sujeito estiver no singular e se referir
a coisas, e o predicativo for um substantivo no plural.
Exemplos:
Nosso piquenique foram
só guloseimas. Sujeito
Predicativo do Sujeito
Sua rotina eram
só alegrias.
Sujeito Predicativo do Sujeito
Se o sujeito indicar pessoa, o verbo concorda com esse sujeito. Por
exemplo:
Gustavo era só
decepções.
Minhas alegrias é esta criança.
Obs.: admite-se a concordância no singular quando se
deseja fazer prevalecer um elemento sobre o outro. Por exemplo:
A vida é ilusões.
c) Quando o sujeito for pronome interrogativo que ou quem.
Por exemplo:
Que são esses
papéis?
Quem são aquelas crianças?
O Verbo
"Ser" (continuação)
d) Como impessoal na indicação de horas, dias e distâncias, o
verbo ser concorda com o numeral.
Exemplos:
É uma hora. São três da manhã. Eram 25 de julho quando partimos.
Daqui até a padaria são dois quarteirões.
Saiba que:
Na indicação de dia, o
verbo ser admite as seguintes concordâncias:
1) No singular: Concorda com a
palavra explícita dia. Por Exemplo: Hoje é dia quatro de
março.
2) No plural: Concorda com o
numeral, sem a palavra explícita dia.
Por Exemplo: Hoje são
quatro de março.
3) No singular: Concorda com a
ideia implícita de dia.
Por Exemplo: Hoje é
quatro de março.
e) Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade e for
seguido de palavras ou expressões como pouco, muito, menos de, mais
de, etc., o verbo ser fica no singular.
Exemplos:
Cinco quilos de
açúcar é mais do que preciso.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu
vestido.
Duas semanas de férias é muito para mim.
f) Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) for
pronome pessoal do caso reto, com este concordará o verbo. Por
exemplo:
No meu
setor, eu sou a única mulher.
Aqui os adultos somos nós.
Obs.: sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) representados por
pronomes pessoais, o verbo concorda com o pronome sujeito.
Por Exemplo:
Eu não sou ela.
Ela não é eu.
g) Quando o sujeito for uma expressão de sentido
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plural, o
verbo ser concordará com o predicativo. Por exemplo:
A grande maioria no
protesto eram jovens.
O resto foram atitudes imaturas.
O Verbo
"Parecer"
O verbo parecer, quando seguido de infinitivo, admite duas
concordâncias:
a) Ocorre variação do verbo parecer e não se flexiona o
infinitivo. Por exemplo:
Alguns colegas pareciam chorar naquele
momento.
b) A variação do verbo parecer não ocorre, o infinitivo
sofre flexão. Por exemplo:
Alguns colegas parecia chorarem naquele
momento.
Obs.: a primeira construção é considerada corrente, enquanto
a segunda, literária.
Atenção:
Com orações desenvolvidas, o verbo parecer fica no singular.
Por exemplo:
As paredes parece que
têm ouvidos. (Parece que as paredes têm ouvidos.)
A Expressão
"Haja Vista"
A expressão haja vista admite as seguintes construções:
a) A expressão fica invariável (seguida ou não de
preposição). Por exemplo:
Haja vista as lições dadas
por ele. ( = por exemplo)
Haja vista aos fatos
explicados por esta teoria. ( = atente-se)
b) O verbo haver pode variar (desde que
não seguido de preposição), considerando-se o termo seguinte como sujeito.
Por exemplo:
Hajam vista os exemplos de
sua dedicação. ( = vejam-se)
O ser humano adora conversar! O tempo todo estamos falando com alguém nas mais diversas situações comunicacionais. Quando utilizamos o código, que é a língua portuguesa, envolvemos inúmeras operações mentais que nos levam a escolher o vocabulário e até mesmo um jeito mais apropriado de falar, e esse jeito pode variar de acordo com a situação na qual estamos envolvidos.
Somos poliglotas, mesmo quando dominamos uma única língua. Isso acontece porque os falantes possuem uma grande capacidade de adaptarem-se em diferentes contextos, fazendo usos diferentes de um mesmo idioma. Na escola, conversando com os amigos, fazemos uso de uma determinada linguagem; quando falamos com a professora ou com o professor, a linguagem sofre algumas modificações, ficando mais formal e até mais respeitosa. Essa capacidade de “falar diferente” é chamada de adequação linguística. Mas será que você sabe o que é adequação linguística?
A adequação linguística é a habilidade que os falantes possuem de adaptar a linguagem de acordo com a necessidade do momento. Podemos optar por dois diferentes registros da língua portuguesa: a variedade padrão ou a variedade popular, também conhecida como linguagem coloquial. Cada uma dessas variedades deve ser empregada em situações específicas, e ambas, sem distinção, funcionam bem, cumprindo papéis específicos na comunicação. Observe um exemplo de adequação linguística que foi questão de prova do Exame Nacional do Ensino Médio no ano de 2009:
Gerente: — Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente: — Estou interessado em financiamento para compra de veículo.
Gerente: — Nós dispomos de várias modalidades de crédito. O senhor é nosso cliente?
Cliente: — Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco.
Gerente: — Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna.
São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
Você observou que a maneira de falar da gerente sofreu uma grande alteração quando ela reconheceu no cliente um amigo? Antes de saber que falava com o colega, ela adotou a variedade padrão, registro que apresenta um discurso mais formal, próprio das relações profissionais e de momentos em que não conhecemos bem nosso interlocutor. Contudo, depois que o amigo se identificou, ela alterou o registro, preferindo a linguagem coloquial, cuja principal característica é a descontração e a informalidade. Agora, observe o que pode acontecer quando não adequamos a linguagem à situação comunicacional:
Para sermos poliglotas em nossa própria língua, é preciso ficar atento à adequação linguística
Observando o diálogo entre Calvin e a mãe, podemos dizer que ele fez uso da adequação linguística? Certamente não! O uso de uma linguagem formal e cheia de palavras “difíceis” contribuiu para o efeito de humor da tirinha, exemplificando bem que para cada momento existe uma maneira mais adequada de falar. Na nossa casa, com nossa família, ou na escola, com nossos amigos, é normal que a coloquialidade seja adotada no discurso. No entanto, em situações que exigem um discurso mais formal, devemos abrir mão de gírias e outras expressões próprias da coloquialidade, preferindo a variedade padrão. Portanto, fique atento, comunique-se com eficiência e adequação!